O carnaval é do povo?
O carnaval é do povo?
Você já deve ter ouvido falar que “as escolas de samba acabaram com a espontaneidade do Carnaval”, ou que “os blocos de rua recuperam uma tradição popular e democrática”. Até que ponto isso é verdade?
Segundo o pesquisador Felipe Ferreira, autor do livro-referência O Livro de Ouro do Carnaval Brasileiro, a festa chegou ao Brasil por mãos portuguesas, no século XVI, na época sob a forma de um conjunto de brincadeiras denominado “entrudo”. Em qualquer lugar, o entrudo significava fantasias, música e um alegre mela-mela, em que os foliões se atiravam limões de cheiro – bolas de cera recheadas de águas perfumadas. Mas já nesse momento a farra se dividia entre as casas senhoriais, de caráter mais delicado e convivial, e o meio da rua, mais grosseiro, onde escravos e pessoas de baixa renda se atiravam não apenas limões de cheiro, mas até mesmo lama e urina.
A dicotomia entre as duas formas de brincar manteve-se durante toda a transformação para o Carnaval como hoje o conhecemos. De um lado, aquele que evoluiu para os bailes de clubes, desfiles de fantasia, cordões de isolamento e escolas de samba; do outro, a manifestação aberta de rua, de blocos ou troças, a “pipoca” dos trios elétricos e a brincadeira espontânea.
Para Ferreira, o conceito de Carnaval popular só foi cunhado nos anos 1950, por uma busca de parte da intelectualidade por aquilo que seria a verdadeira arte e cultura do povo brasileiro. Mas, segundo o estudioso, a festa sempre foi resultado de uma negociação constante entre elementos das diferentes classes. “Tanto as escolas de samba cariocas, acusadas de terem se transformado em espetáculo, como os blocos de rua de Olinda, sempre louvados por sua espontaneidade, possuem, cada um, sua ‘verdade popular’.”
fonte revista veja. http://veja.abril.com.br/
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